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Saúde Emocional: quando a ciência explica e a fé restaura.

  • Foto do escritor: Priscila Furtado
    Priscila Furtado
  • 7 de jul.
  • 3 min de leitura

A gente fala muito sobre cuidar da saúde física. Faz exames, toma vitaminas, tenta melhorar a alimentação, começa uma atividade física… Mas, muitas vezes, esquece da saúde emocional.

E a verdade é que ninguém consegue viver uma vida saudável carregando uma mente adoecida.

Como psicanalista, eu percebo que grande parte dos sofrimentos que acompanho não começou no momento da crise. Começou muito antes, quando emoções foram sendo ignoradas, abafadas ou até julgadas.

Tem gente que aprendeu desde criança que sentir era sinal de fraqueza. Então engoliu o choro, escondeu a dor, fingiu que estava tudo bem. O problema é que as emoções não desaparecem porque foram ignoradas. Elas apenas encontram outra forma de se manifestar.

A ciência explica isso.

Nosso cérebro foi criado para perceber emoções como sinais importantes. Estruturas como a amígdala cerebral identificam ameaças e acionam respostas de sobrevivência. Já o córtex pré-frontal é responsável por regular essas emoções, ajudando-nos a refletir antes de reagir. Quando vivemos sob estresse constante, traumas ou sofrimento prolongado, essa comunicação pode ficar comprometida, tornando mais difícil controlar impulsos, ansiedade e medo.

Além disso, o estresse crônico aumenta a liberação de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Quando esse hormônio permanece elevado por muito tempo, ele pode prejudicar o sono, reduzir a imunidade, aumentar processos inflamatórios, favorecer quadros de ansiedade e depressão e até afetar a memória e a capacidade de concentração.

Isso mostra que emoções não são apenas sentimentos. Elas também provocam alterações biológicas reais no organismo.

A Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada oito pessoas no mundo convive com algum transtorno mental. Isso representa cerca de um bilhão de pessoas. A ansiedade e a depressão estão entre as principais causas de incapacidade em todo o planeta. E, somente durante a pandemia, os casos de ansiedade e depressão aumentaram aproximadamente 25%.

Esses números nos mostram que cuidar da saúde emocional deixou de ser um luxo. Tornou-se uma necessidade.

Mas existe algo que sempre me chama atenção.

Mesmo com tantos avanços da ciência, ainda existe uma necessidade que nenhuma tecnologia consegue preencher: a necessidade de sentido, propósito e esperança.

É exatamente aqui que a fé entra.

A Bíblia nunca negou a existência das emoções. Pelo contrário.

Homens e mulheres de Deus sentiram medo, tristeza, angústia, solidão, frustração e até momentos de profundo desânimo.

O próprio Jesus, antes da crucificação, declarou:

“A minha alma está profundamente triste.”

Isso nos ensina algo poderoso: sentir emoções não é pecado. O problema não é sentir. O problema é permitir que essas emoções assumam o controle da nossa identidade.

Enquanto a ciência nos ajuda a compreender como as emoções funcionam, a fé nos mostra onde elas podem ser transformadas.

A ciência explica os mecanismos do cérebro.

A fé restaura o coração.

A ciência mostra como os traumas influenciam nosso comportamento.

A fé revela que nossa história não precisa terminar onde a dor começou.

A ciência fala sobre neuroplasticidade, a incrível capacidade que o cérebro possui de criar novas conexões ao longo da vida. Isso significa que novos hábitos, novos pensamentos e novas experiências podem literalmente modificar circuitos cerebrais.

A Bíblia já apontava para essa transformação muito antes de existirem aparelhos capazes de observar o cérebro.

“Transformai-vos pela renovação da vossa mente.”

Quando renovamos nossa maneira de pensar, também transformamos nossa forma de viver.

Isso não significa negar a dor.

Significa não permanecer prisioneiro dela.

Saúde emocional não é viver sorrindo o tempo inteiro.

É aprender a reconhecer aquilo que sentimos sem permitir que isso defina quem somos.

É entender que tristeza não significa fracasso.

Que ansiedade não define identidade.

Que medo não determina destino.

Que trauma não precisa ser herança.

É desenvolver maturidade para sentir, processar, ressignificar e seguir.

A saúde emocional não nasce quando a vida fica perfeita.

Ela floresce quando aprendemos a enfrentar a realidade com coragem, consciência e esperança.

E talvez essa seja uma das maiores demonstrações de força: ter coragem de olhar para dentro, pedir ajuda quando necessário, permitir que Deus trate aquilo que ninguém vê e compreender que cuidar da mente também é uma forma de honrar o corpo e a vida que Ele nos confiou.

Porque, no fim das contas, uma emoção bem cuidada não transforma apenas um dia ruim.

Ela pode transformar toda uma história.



Com carinho,

Priscila Furtado

Psicanalista | Palestrante

Cuidando das emoções à luz da ciência e da fé.

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