A infância: a fase que molda que nos tornamos.
- Priscila Furtado

- 16 de jul.
- 4 min de leitura
A infância é muito mais do que uma fase da vida. É o período em que aprendemos a enxergar o mundo, a construir nossa identidade e a desenvolver a forma como nos relacionamos com as pessoas e conosco mesmos. As experiências vividas nos primeiros anos de vida deixam marcas profundas, algumas fortalecem, outras ferem, mas todas contribuem para a formação da nossa história.
Na psicanálise, compreendemos que muitas dificuldades emocionais da vida adulta têm raízes em experiências infantis. Isso não significa que estamos presos ao passado, mas que conhecer nossa história é um passo importante para promover cura, crescimento e novas escolhas.
O que é a infância?
A infância é o período que vai do nascimento até a adolescência. É uma fase marcada pelo desenvolvimento físico, emocional, cognitivo, social e espiritual.
Durante esse tempo, a criança aprende a confiar, amar, comunicar suas necessidades, lidar com frustrações e descobrir quem é. Tudo isso acontece, principalmente, através dos vínculos que estabelece com seus cuidadores.
Cada palavra de incentivo, cada abraço, cada olhar de aprovação ou rejeição contribui para a construção da percepção que a criança terá sobre si mesma.
A importância dos vínculos afetivos
Muito antes de compreender as palavras, a criança interpreta gestos, expressões e emoções.
Quando ela cresce em um ambiente onde existe amor, segurança e acolhimento, seu cérebro desenvolve melhores condições para lidar com desafios e construir relacionamentos saudáveis.
Por outro lado, ambientes marcados por críticas constantes, abandono emocional, violência, negligência ou instabilidade podem gerar insegurança e dificuldades que se estendem para a vida adulta.
É importante lembrar que pais perfeitos não existem. O que as crianças precisam são de adultos suficientemente presentes, capazes de oferecer amor, proteção e reparar os erros quando eles acontecem.
Como as experiências da infância influenciam a vida adulta
Nem sempre percebemos, mas muitas reações emocionais atuais podem estar ligadas à nossa história infantil.
Alguns exemplos incluem:
Medo intenso de rejeição.
Dificuldade em confiar nas pessoas.
Necessidade constante de aprovação.
Baixa autoestima.
Perfeccionismo excessivo.
Dificuldade em estabelecer limites.
Medo do abandono.
Sentimento constante de não ser suficiente.
Esses comportamentos nem sempre surgem por escolhas conscientes. Muitas vezes são estratégias emocionais aprendidas para sobreviver em ambientes difíceis.
Feridas emocionais podem nascer na infância
As chamadas feridas emocionais não são causadas apenas por grandes traumas.
Muitas delas surgem através de pequenas experiências repetidas ao longo do tempo:
Comparações constantes.
Falta de validação emocional.
Excesso de críticas.
Ausência de afeto.
Pais emocionalmente indisponíveis.
Exigências exageradas.
Falta de escuta.
Humilhações.
Rejeições.
A criança não possui maturidade para interpretar essas situações. Em vez de pensar “meus pais estavam sobrecarregados”, ela costuma concluir: “há algo errado comigo”.
Essa interpretação pode acompanhar a pessoa durante muitos anos.
O cérebro infantil está em formação
A neurociência mostra que o cérebro da criança está em intenso desenvolvimento.
As experiências vividas moldam conexões neurais responsáveis pela forma como ela perceberá segurança, confiança, medo e pertencimento.
Quando a criança vive em constante estado de estresse, seu organismo permanece mais alerta, o que pode influenciar sua capacidade de regular emoções no futuro.
Por outro lado, experiências positivas fortalecem circuitos relacionados ao autocontrole, empatia e resiliência.
Isso nos mostra o quanto o amor, a presença e o cuidado são verdadeiros investimentos para toda a vida.
O olhar da Bíblia sobre a infância
A Palavra de Deus também revela o valor da infância.
Jesus demonstrou profundo carinho pelas crianças, acolhendo-as e mostrando que elas possuem grande importância no Reino de Deus.
“Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam, pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas.” (Marcos 10:14)
A Bíblia também orienta os pais quanto à responsabilidade de ensinar, amar e conduzir seus filhos no caminho da sabedoria.
Isso não significa criar filhos perfeitos, mas criar um ambiente onde o amor, a graça e a verdade caminhem juntos.
É possível ressignificar a infância?
Sim.
Embora não possamos mudar o que aconteceu, podemos transformar a maneira como essas experiências influenciam nossa vida.
O processo terapêutico permite compreender a origem de muitos comportamentos, acolher a criança interior ferida e construir novas formas de viver.
A fé também desempenha um papel importante nesse caminho.
Quando entendemos que Deus conhece nossa história desde o ventre materno, somos lembrados de que nossas feridas não definem nossa identidade.
Em Cristo encontramos acolhimento, restauração e esperança para escrever novos capítulos.
Conclusão
A infância é o alicerce da nossa vida emocional. As experiências vividas nesse período influenciam nossa forma de amar, confiar, enfrentar desafios e enxergar a nós mesmos.
Conhecer essa história não é viver preso ao passado, mas compreender de onde vieram muitas das nossas dores para que possamos caminhar em direção à cura.
Independentemente de como tenha sido sua infância, sempre existe a possibilidade de reconstrução. Através do autoconhecimento, da psicanálise, de relacionamentos saudáveis e da fé em Deus, é possível ressignificar experiências, fortalecer a autoestima e viver com mais liberdade emocional.
Que sua história não seja definida pelas feridas que recebeu, mas pela coragem de permitir que elas sejam transformadas em aprendizado, crescimento e esperança.
Você percebe que experiências da sua infância ainda influenciam suas emoções, seus relacionamentos ou sua autoestima?
A psicanálise pode ajudá-la a compreender sua história com um novo olhar, identificar padrões emocionais e iniciar um processo de reconstrução interior.
Se este artigo fez sentido para você, compartilhe com alguém que também precisa compreender que a cura começa quando temos coragem de olhar para nossa história com verdade, acolhimento e esperança.
Com carinho,
Priscila Furtado
Psicanalista Cristã
Ciência e Fé
No Divã dos Céus
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