O que é ansiedade?
- Priscila Furtado

- 22 de jun.
- 2 min de leitura
Se você me perguntasse o que é ansiedade, eu não começaria falando sobre sintomas. Eu começaria falando sobre excesso.
Porque, na maioria das vezes, a ansiedade é uma alma cansada tentando carregar um amanhã que ainda nem chegou.
É quando a mente começa a fazer o trabalho que pertence ao tempo, a Deus e, muitas vezes, às outras pessoas.
A ansiedade nasce quando tentamos garantir aquilo que nunca esteve em nossas mãos.
Ela aparece quando o coração aprende que precisa estar sempre alerta. Sempre preparado. Sempre forte. Sempre resolvendo. Sempre prevendo.
E, sem perceber, a pessoa deixa de viver para vigiar.
Ela vigia as palavras, as pessoas, os sinais, os silêncios, as possibilidades de perda, as rejeições, os fracassos…
E é exaustivo.
Porque ninguém foi criado para viver em estado de sentinela vinte e quatro horas por dia.
A ansiedade nem sempre faz barulho
Às vezes, ela se apresenta de formas que ninguém percebe.
É a mulher que sorri, mas não consegue descansar.
É a pessoa que faz tudo por todos, mas se culpa quando para.
É aquela que diz “está tudo bem”, enquanto por dentro imagina mil tragédias.
É quem está deitado, mas não consegue desligar a mente.
É quem tenta controlar tudo porque, no fundo, tem medo de perder tudo.
Existe uma história por trás da ansiedade
Muitas pessoas ansiosas não aprenderam a descansar.
Aprenderam a sobreviver.
Talvez cresceram em ambientes imprevisíveis.
Talvez precisaram amadurecer cedo demais.
Talvez foram feridas, rejeitadas ou viveram situações que ensinaram ao cérebro que o perigo pode surgir a qualquer momento.
Então, o corpo continua em alerta, mesmo quando a guerra já acabou.
E o mais triste é que muita gente se acostuma tanto com esse estado, que acha que viver cansada é normal.
Não é.
Uma analogia que gosto de fazer
Imagine uma casa com um sistema de alarme.
O alarme foi criado para proteger.
Mas se ele disparar a cada folha que cai no quintal, a cada vento que passa, a cada gato que pula o muro, a casa deixa de ser um lugar de segurança e se torna um lugar de exaustão.
A ansiedade é isso.
Não é um inimigo.
É um alarme.
Mas um alarme que, muitas vezes, está sensível demais.
E ninguém quebra o alarme aos gritos.
Primeiro, é preciso entender por que ele está disparando.
O que a ansiedade talvez esteja tentando dizer?
“Você carregou peso demais.”
“Você precisou ser forte por muito tempo.”
“Você aprendeu a viver se preparando para o pior.”
“Você esqueceu que descansar também é uma forma de confiança.”
Talvez você não esteja fraca.
Talvez esteja cansada.
Talvez o seu problema não seja falta de capacidade, mas excesso de responsabilidade.
Talvez você tenha se tornado especialista em cuidar de tudo e de todos, mas tenha se esquecido de perguntar:
Quem cuida do meu coração?
Porque até uma sentinela precisa dormir.
Até uma árvore precisa passar pelo inverno.
E até uma alma forte precisa encontrar um lugar seguro para repousar.
A ansiedade não é quem você é.
Ela é apenas o grito de uma parte sua que, há muito tempo, está pedindo permissão para descansar.
Priscila Furtado M.S
Psicanalista Cristã
Ciência e Fé
No Divã dos Céus
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